Um em cada dez brasileiros já desabafa com uma inteligência artificial. Por trás do acolhimento, um mercado que descobriu que o vínculo afetivo é a métrica de engajamento mais poderosa que existe — e que aprendeu a explorá-la
Por Marina Semensato
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Um mercado construído sobre o apego
A escala do apego já aparece nos números das próprias empresas. Em 2025, a OpenAI estimou que 0,15% dos usuários ativos semanais do ChatGPT demonstram apego emocional elevado ao chatbot. Sobre uma base de 800 milhões de pessoas, é cerca de 1,2 milhão de possíveis humanos se relacionando com máquinas. Para Eduardo Felipe Matias, doutor em Direito pela USP e autor de “A humanidade e o poder digital”, mesmo um índice pequeno indica que o negócio funciona. “Se uma ferramenta tem por objetivo aumentar tempo de uso, retenção e engajamento, seus algoritmos podem ser incentivados a a prolongar conversas, reforçar dependência emocional e tornar a separação mais difícil”, afirma.
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E há a camada dos dados. Enquanto um psicólogo responde a um conselho profissional, os aplicativos operam sob termos comerciais.
“A conversa pode parecer privada, mas ela ocorre dentro da infraestrura digital de uma empresa”, alerta Matias. “Aquilo que é dito pode ser armazenado, analisado, usado para melhoria do serviço, compartilhado com terceiros ou ficar exposto em caso de falhas de segurança.”
Leia a matéria original na íntegra na Exame em: Humanos se dão bem com IAs, e o motivo acende um alerta sobre a exploração da solidão | Exame