Eduardo Felipe Matias

Humanos se dão bem com IAs, e o motivo acende um alerta sobre a exploração da solidão

Um em cada dez brasileiros já desabafa com uma inteligência artificial. Por trás do acolhimento, um mercado que descobriu que […]

Humanos se dão bem com IAs, e o motivo acende um alerta sobre a exploração da solidão

Escrito por

Eduardo Felipe Matias

Publicado em

22 jul. 2026

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Um em cada dez brasileiros já desabafa com uma inteligência artificial. Por trás do acolhimento, um mercado que descobriu que o vínculo afetivo é a métrica de engajamento mais poderosa que existe — e que aprendeu a explorá-la

Por Marina Semensato

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Um mercado construído sobre o apego

A escala do apego já aparece nos números das próprias empresas. Em 2025, a OpenAI estimou que 0,15% dos usuários ativos semanais do ChatGPT demonstram apego emocional elevado ao chatbot. Sobre uma base de 800 milhões de pessoas, é cerca de 1,2 milhão de possíveis humanos se relacionando com máquinas. Para Eduardo Felipe Matias, doutor em Direito pela USP e autor de “A humanidade e o poder digital”, mesmo um índice pequeno indica que o negócio funciona. “Se uma ferramenta tem por objetivo aumentar tempo de uso, retenção e engajamento, seus algoritmos podem ser incentivados a a prolongar conversas, reforçar dependência emocional e tornar a separação mais difícil”, afirma.

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E há a camada dos dados. Enquanto um psicólogo responde a um conselho profissional, os aplicativos operam sob termos comerciais.

“A conversa pode parecer privada, mas ela ocorre dentro da infraestrura digital de uma empresa”, alerta Matias. “Aquilo que é dito pode ser armazenado, analisado, usado para melhoria do serviço, compartilhado com terceiros ou ficar exposto em caso de falhas de segurança.”

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